Cheia extrema no Purus ameaça safra e deve causar prejuízo de R$ 500 mil a extrativistas
Associação de agroextrativistas em Lábrea teme perder R$ 500 mil com atraso na produção de látex por causa da cheia extrema no rio Purus. Até agora, 16 municípios decretaram emergência e Governo do Estado estima 158.411 pessoas afetadas pelas inundações, em todo o Amazonas.
“Com a subida do rio atrapalha porque a maioria dos seringais fica em área de várzea. Ainda tem os aterros [espécies de alagamentos permanentes onde a água não escoa com a vazante], eles matam as árvores porque elas ficam muito tempo submersas”, comentou Antônio.
Lima e os demais membros da Apacjg acreditam que só vão poder começar os trabalhos de extração do látex em julho, com aproximadamente dois meses de atraso. Período em que precisam reavaliar as estratégias para honrar os contratos de venda do produto e, principalmente, contabilizar o prejuízo financeiro. É que além da paralisação, eles também perderam alguns kits de trabalho, levados pelas águas. A estimativa é de R$ 500 mil em perdas totais.
A Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) realizou a entrega de 100 kits de extração para minimizar os prejuízos. A prefeitura de Lábrea ampliou a construção de trapichos (pontes de madeira) nas comunidades e na área urbana da cidade, também dá apoio logístico para os extrativistas durante as visitas às áreas de várzea para o monitoramento dos seringais. A Apacjg espera se recuperar dos danos.
Já são 16 municípios em situação de emergência de acordo com a mais recente publicação do boletim feito pelo Governo do Amazonas. São eles: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Santo Antônio do Içá, Tabatinga, Tapauá e Tonantins.
No total, o estado acredita que há 158.411 pessoas afetadas pelas inundações, em todo o Amazonas. O tenente Charles Barroso, da Defesa Civil estadual, disse que o pedido mais recorrente das prefeituras é por ajuda humanitária. 125 kits de purificadores de água do projeto Água Boa foram enviados para 21 municípios, o acesso à água potável para as populações ribeirinhas fica comprometido durante cheias severas.
Fim do La Niña
O Comitê Técnico-Científico do Governo do Amazonas informou que os efeitos do La Niña chegaram ao fim para o estado. O fenômeno é responsável por facilitar a ocorrência de chuvas. No recorte dos quatro primeiros meses de 2026, sob a influência dele, fevereiro foi o campeão no volume de pancadas de água e tempestades: 350 milímetros no acumulado; abril fica em segundo lugar, com 296,6 milímetros.
Agora há um período de transição, considerado um momento neutro. Os dados avaliados pelo comitê indicam que podemos enfrentar o El Ninõ a partir dos próximos meses, algo completamente oposto, um fenômeno que dificulta a ocorrência de formação de nuvens de chuva. Enquanto não há definição, a Defesa Civil do Estado segue o monitoramento da cheia.

