Caso Ruan: família diz ter vídeos sobre omissão de socorro
A família do técnico de enfermagem Ruan Silveira afirma possuir vídeos que, segundo os parentes, reforçam a suspeita de omissão de socorro por parte das pessoas que estavam na mesma lancha que a vítima antes do afogamento ocorrido no último sábado (11), na Praia da Lua, localizada na margem esquerda do Rio Negro, a cerca de 23 quilômetros de Manaus.
Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA, a tia de Ruan, Karollyne Silveira Ferreira, relatou que o sobrinho saiu na noite de sexta-feira (10) após ser convidado para uma festa e, posteriormente, seguiu com um grupo para a Praia da Lua, onde todos teriam alugado uma lancha.
Segundo ela, por volta das 6h da manhã, a irmã de Ruan entrou em contato por telefone com ele e conseguiu conversar normalmente. Para a família, esse contato contraria comentários divulgados nas redes sociais de que o técnico estaria em estado extremo de embriaguez.
“Ela ligou para ele e ele falou que estava bem. Eu acho que, para uma pessoa estar tão bêbada como disseram, ela nem conseguiria falar. Além disso, ele era muito cauteloso com tudo”, afirmou.
Ainda de acordo com Karollyne, cerca de três horas depois a irmã voltou a ligar para Ruan, mas a ligação foi atendida por uma banhista, que informou que ele havia se afogado.
“A primeira pessoa da família que recebeu a notícia foi a irmã dele. A partir daí começou o desespero”, contou a tia.
Suspeita de omissão
Karollyne afirma que a família acredita ter havido omissão de socorro durante o desaparecimento de Ruan. Segundo ela, vídeos recebidos pelos parentes mostram que banhistas iniciaram as buscas enquanto, conforme sua versão, parte das pessoas que estavam na lancha permaneceu sem participar das tentativas de localização.
A tia afirma ainda que Ruan permaneceu submerso por aproximadamente 30 minutos antes de ser encontrado por um banhista.
“A gente tem vídeos de quando estavam procurando e de quando encontraram o corpo. Para nós, eles mostram que as pessoas que estavam com ele não estavam preocupadas e não fizeram o que poderiam ter feito. Mas a polícia está investigando”, disse.
Segundo Karollyne, um casal teria participado das buscas, mas deixou o local antes da chegada da família. Ela afirma que os demais ocupantes da lancha permaneceram na praia porque, segundo sua versão, frequentadores acionaram as autoridades.
Abalada, Karollyne descreveu Ruan como um jovem dedicado à família e ao trabalho.
“Foi um choque para todo mundo. Ele era estudioso, talentoso, muito dedicado. Era um excelente profissional. Os defeitos dele nunca foram maiores do que as qualidades. É uma dor que a gente nem consegue medir.”
A tia também questiona a versão de que Ruan não conhecia as pessoas que estavam na embarcação.
“Para nós, isso não faz sentido. Eu não acredito que alguém entre em uma lancha com pessoas completamente desconhecidas. Alguém o convidou e havia pessoas que o conheciam ali.”
Em nota, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que o caso está sendo apurado, desde as primeiras horas, pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que adotou todas as medidas e procedimentos cabíveis.
“As oitivas das pessoas envolvidas estão em andamento, assim como as demais diligências necessárias para o esclarecimento dos fatos. Neste momento, não será possível divulgar outras informações, a fim de não comprometer o andamento das investigações”, diz nota.
Relembre o caso
Ruan Silveira morreu após se afogar na manhã de sábado (11), durante um passeio na Praia da Lua, localizada na margem esquerda do Rio Negro, a cerca de 23 quilômetros de Manaus. De acordo com as informações iniciais, ele estava em uma lancha com outras pessoas quando entrou na água e desapareceu.
Após buscas realizadas no local, o corpo foi encontrado e removido pelas autoridades competentes. Desde então, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil, enquanto familiares questionam a atuação das pessoas que acompanhavam a vítima e pedem que todas as circunstâncias do afogamento sejam esclarecidas.

