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AM tem três mulheres como vice na corrida ao governo

O Amazonas já conta com três candidaturas oficializadas na disputa do governo estadual e todas contam com mulheres candidatas a vice-governadoras: David Almeida (Avante) e Shádia Fraxe (Avante), Gilberto Vasconcelos (PSTU) e Juliana Frota (PSTU) e Omar Aziz (PSD) e Alessandra Campêlo (PSD). Somando ainda a pré-candidatura de Maria do Carmo Seffair (PL), o número de mulheres na disputa pelo governo está a uma vaga do número registrado em 2022, quando cinco mulheres compuseram as chapas majoritárias, sendo três na cabeça da chapa e três na condição de vice.

Ainda assim, para a cientista social Iraildes Caldas Torres, doutora e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), as mulheres não são valorizadas de fato na política, sendo utilizadas meramente como “chave de interesses eleitoreiros”.

“São tidas pelos homens como coadjuvantes, aquelas que podem beneficiá-los porque chamam voto do gênero feminino. Há, neste sentido, o uso da imagem da mulher justificado pela ascensão que elas têm hoje no contexto mundial das questões de gênero. O mundo hoje exige que se respeite as mulheres e que elas têm importância para o equilíbrio do planeta. Mas isso é discursividade, não necessariamente respeito e valorização das mulheres”, disse.

O raciocínio vai de encontro às próprias estatísticas disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo os dados da Corte, o eleitorado amazonense é composto por 51,43% de mulheres, o que em números exatos soma mais de 1,4 milhão para o pleito de 2026. Em âmbito nacional, o público feminino é responsável por 52,84% do eleitorado brasileiro.

Eleições 2026

Majoritariamente masculinas as chapas que disputam o governo do Amazonas, já definidas em convenção, trazem três mulheres na condição de vice. O número iguala o registrado para esse cargo em 2022. Mas ainda pode aumentar até o fim do prazo.

Candidata

A disputa ao governo do Amazonas têm apenas uma mulher na cabeça de chapa, a candidata do PL, a empresária Maria do Carmo. 1.441.078 eleitoras é o número de mulheres aptas a votar no AM, o que representa 51,4% do eleitorado.

ÍNDICE BAIXO

A advogada Alessandrine Silva, membro do Fórum Permanente das Mulheres do Amazonas, destacou que o Brasil ainda apresenta um dos piores índices de participação feminina na política em comparação com outras democracias, apesar de a política de cotas ter garantido alguma ampliação. A lei eleitoral brasileira determina que as chapas proporcionais de deputados e vereadores tenha um mínimo de 30% de candidaturas femininas.

“Quando falamos dos cargos majoritários, o cenário é ainda mais desafiador. É importante lembrar que países com maior igualdade de gênero na política, como a Islândia, demonstram que a presença de mulheres em posições de liderança transforma a cultura política. No Amazonas, esse histórico também evidencia a desigualdade. Até hoje, o estado elegeu apenas duas mulheres para o Senado, Vanessa Grazziotin e Eunice Michiles, e nunca elegeu uma governadora. Se olharmos pela perspectiva racial, o quadro é ainda mais grave”, destacou.

Sobre o lançamento de nomes femininos nas chapas majoritárias, Alessandrine Silva classificou a atitude como positiva, mas pontua que é necessário refletir se isso representaria uma mudança estrutural ou apenas a reprodução de uma lógica em que mulheres ocupam, predominantemente, apenas posições de apoio aos homens.

“O desafio não é apenas ampliar o número de mulheres nas chapas, mas garantir que elas tenham protagonismo, autonomia política e compromisso com a promoção da igualdade de gênero e com os direitos das mulheres”, completou.

Número de candidatas pode crescer

Além das coligações já oficializadas e com atas divulgadas no sistema do TSE, restam ainda três convenções de pré-candidatos ao governo estadual: o atual chefe do Executivo Roberto Cidade (União) e a empresária Maria do Carmo (PL), cujas convenções ocorrerão em 4 de agosto, por volta de 19h e 19h30, e o líder indígena Isael Munduruku (Rede), que confirma sua candidatura já neste sábado (1º).

As três chapas restantes ainda pendem da indicação de candidatos a vice. Recentemente, o nome da deputada estadual Joana Darc (União) chegou a ser cogitado para compor a chapa de Roberto Cidade, apesar de haver a possibilidade de o atual vice-governador Serafim Corrêa (PSB) continuar na caminhada pela reeleição.

Hoje, Joana Darc é pré-candidata a deputada federal e consta como um dos destaques do União Brasil para puxar votos e aumentar a bancada do partido, que elegeu Fausto Jr. e Saullo Vianna em 2022. Vianna trocou o União pelo Partido Social Democrático (PSD) durante a janela partidária.

Além dos partidos com pré-candidatos, também estão agendadas as convenções partidárias do partido Mobiliza nesta sexta-feira e da federação Brasil da Esperança, formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Verde (PV) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A federação apoiará Omar Aziz ao governo e Eduardo Braga (MDB) ao Senado, mas abriu mão de indicações nas chapas majoritárias e deverá focar em eleger parlamentares e na reeleição do presidente Lula (PT).

Ivânia Vieira – Doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Ufam

“O impacto da presença feminina no cotidiano é contínuo e crescente. A participação da mulher deixa de ser mera referência para assumir corporeidade com capacidade de mobilizar vitórias ou derrotas. Os ativismos das mulheres em todos os ambientes produzem questionamentos que geram ranhuras na estrutura enraizada do machismo na política global, nacional e estadual.

Monitoramentos de tendências de voto mostram à arquitetura das chapas que é preciso ‘conciliar’ com as mulheres, fazer acordos para montar as candidaturas com aparência de ‘atraentes’ na batalha por votos. Esta também é uma feição dos outros embates das mulheres na política.

Um fio tênue separa candidaturas “laranjas” daquelas colocadas para a briga; das ideológicas às comprometidas com outras questões. Ter mulheres nas candidaturas majoritárias responde a algumas exigências de ordem legal, de atrair os votos das mulheres, de parcela dos jovens, na constituição de outras aparências no palanque, no melhor manejo da verba de campanha e nos arranjos discursivos sobre equidade de gênero, sensibilidade feminina e outros elementos referentes a atuação das mulheres manipulados no jogo eleitoral”

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