O delegado Marcelo Martins, que assumiu a condução do inquérito por determinação da Delegacia Geral da Polícia Civil, afirmou que houve resistência durante a operação, mas que a equipe conseguiu cumprir o mandado.

Foi uma diligência difícil. Nós encontramos alguma resistência durante a execução do mandado, na medida que tivemos algumas discussões aí sobre alguns temas técnicos, jurídicos, sobre o alcance do mandado. Mas a gente conseguiu cumprir a ordem judicial. Fizemos a apreensão do aparelho celular da Maria do Carmo e do computador pessoal dela. Esse material vai ser extraído os dados desses dispositivos e nós vamos fazer a análise desse material para tentar avaliar a participação dela nesse crime, explicou.
Porque vale destacar que já foi constatada a violação ao estatuto da criança e do adolescente agora é entender a participação de cada pessoa dentro desse cenário. Exatamente. A prática de crime nesse caso já está configurada. O que falta agora ser mais aprofundado, vamos dizer assim, é nível de participação de cada um dos investigados”, afirmou.
Delegado classifica divulgação de imagens como conduta cruel
Ao comentar a gravidade da produção e disseminação do conteúdo nas redes sociais, Marcelo Martins classificou a ação como uma conduta cruel contra a adolescente.
Trata-se da ação de uma mente perversa, que utilizou as redes sociais para violar a intimidade e a dignidade de uma adolescente com objetivos escusos , declarou o delegado.
Entenda o caso
A investigação ganhou repercussão após Omar Aziz criticar, no primeiro discurso depois da vitória nas eleições, ataques pessoais envolvendo a filha adolescente. Na ocasião, o governador eleito afirmou que acionaria a Justiça contra os responsáveis.
A busca e apreensão havia sido autorizada pela Justiça durante o andamento da investigação. No dia 29 de outubro, policiais fizeram diligências em endereços supostamente ligados à campanha de Maria do Carmo. Na ocasião, a candidata negou ter sido alvo da ação.
No dia seguinte, uma liminar suspendeu temporariamente a busca e apreensão em relação à ex-candidata.
A defesa de Maria do Carmo alegou que ela havia comparecido espontaneamente à delegacia e se colocado à disposição dos investigadores, inclusive oferecendo a entrega voluntária de aparelhos eletrônicos.
Ao revogar a liminar, o desembargador Paulo Feitoza considerou que a busca era necessária para preservar provas digitais que poderiam ser apagadas ou modificadas.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).