Título da Unesco abre nova etapa para preservação e projeção internacional do Teatro Amazonas
O reconhecimento do Teatro Amazonas e do Theatro da Paz como Patrimônio Mundial da Unesco inaugura uma nova etapa para a cultura da Região Norte. Além de colocar os dois monumentos entre os bens culturais de valor excepcional para a humanidade, o título amplia a visibilidade internacional da Amazônia, fortalece o turismo cultural e exige medidas permanentes de preservação e gestão compartilhada.
Os dois espaços passam a integrar a Lista do Patrimônio Mundial sob a denominação “Teatros da Amazônia”. A decisão amplamente divulgada nesta segunda-feira (27) também representa a primeira inclusão de um bem cultural da Região Norte na lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Com a nova inscrição, o Brasil passa a reunir 26 bens reconhecidos como Patrimônio Mundial: 16 culturais, nove naturais e um misto.
Durante coletiva realizada nesta segunda-feira (27), no Teatro Amazonas, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM) apresentou detalhes do reconhecimento e destacou os possíveis impactos para a preservação do monumento, a economia criativa e o turismo em Manaus.
O secretário Caio André afirmou que a conquista pode ampliar a capacidade de atrair investimentos públicos e privados destinados à cultura e à conservação do patrimônio.
“A importância é enorme para o povo amazonense, para a cultura do nosso estado, para a economia e para o turismo que circula ao redor do nosso teatro. Isso ajuda a manter viva essa história e pulsante a nossa cultura, além de fortalecer a busca por recursos nacionais e internacionais junto à iniciativa privada”, afirmou o titular da SEC-AM.
Caio André, titular da SEC-AM
Produção cultural
Para à reportagem de A CRÍTICA, o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, destacou que o reconhecimento supera a dimensão arquitetônica dos dois edifícios e projeta a Amazônia como território de produção cultural, artística e de diferentes identidades.
“A inclusão dos teatros da Amazônia na lista do Patrimônio Cultural Mundial da Unesco é importante do ponto de vista do reconhecimento, da importância desses teatros para a história dessas duas cidades amazônicas, que são Manaus e Belém, mas é sobretudo importante do ponto de vista do reconhecimento da Amazônia como produtora de cultura, de memória e de várias identidades”, afirmou o presidente do órgão.

Segundo Gusmão, a inscrição amplia a imagem internacional da região, historicamente associada sobretudo à biodiversidade e ao patrimônio natural.
“A Amazônia, para além do paradigma do meio ambiente e do patrimônio natural, é também reconhecida pela sua produção cultural, pela sua produção artística e pelos circuitos culturais que os teatros engendram”, acrescentou.
Já a coordenadora de Cultura da Unesco no Brasil, Isabel de Paula, ressaltou que o título amplia o olhar internacional sobre o patrimônio histórico e cultural amazônico.
“Com isso, agora os olhos do mundo se voltam para o patrimônio histórico e cultural da Amazônia, já tão reconhecida por sua biodiversidade e pelo seu patrimônio natural”, afirmou a coordenadora da Unesco.
Novos compromissos de preservação
O reconhecimento internacional aumenta as responsabilidades dos governos e da sociedade na proteção dos dois teatros.
O reconhecimento internacional também aumenta as responsabilidades dos governos e da sociedade na proteção dos dois teatros. A inscrição na lista da Unesco exige a manutenção de políticas públicas, medidas de conservação e mecanismos de gestão capazes de preservar o valor histórico, arquitetônico e cultural dos bens.
“Quando um bem é reconhecido patrimônio mundial pelo seu valor excepcional e universal, isso traz muitos compromissos para o país e muitas responsabilidades. Então é preciso que a sociedade, os governos, os seus diferentes. Níveis passem a desenvolver políticas públicas e medidas e ações para proteger esses bens e para valorizá-los”, explicou Isabel de Paula.
Para o presidente do Iphan, a gestão dos teatros deve permanecer compartilhada entre poder público e sociedade civil.
“É importante que agora a gente continue atuando conjuntamente o poder público e a sociedade civil com vistas à gestão compartilhada desses teatros, o Teatro Amazonas e o Teatro da Paz, considerando que a responsabilidade da sociedade brasileira é a preservação desses bens para as gerações futuras”, afirmou.
“Viva a Amazônia, viva o patrimônio cultural brasileiro, que agora é também patrimônio mundial“, concluiu Gusmão.
Isabel de Paula ressaltou ainda que, a partir da inscrição, os teatros passam a ser reconhecidos como patrimônio de interesse mundial, e não apenas dos estados onde estão localizados.
“A Unesco gostaria de parabenizar o Brasil por essa conquista e toda a sociedade, a população da Amazônia, por ter agora um bem de valor excepcional, conhecido e valorizado por todo o mundo. Esse não é um bem só do Pará ou do Amazonas, mas sim de toda a humanidade”, declarou.
Turismo e economia criativa
Na avaliação da Secretaria de Cultura, a chancela pode fortalecer o turismo cultural e ampliar a atração de investimentos para o Amazonas.
“Sem sombra de dúvidas, esse é o nosso ponto focal: fortalecer a economia criativa. Esse reconhecimento abre portas para a captação de recursos, tanto nacionais quanto internacionais, além de atrair a iniciativa privada. A chancela da Unesco traz visibilidade e funciona como um grande chamariz. Tenho convicção de que entramos em um novo momento”, afirmou Caio André.
O secretário também classificou a conquista como um marco simbólico para o estado e para a história do Teatro Amazonas.
“É um momento de regozijo e orgulho para o Governo do Amazonas, que trabalhou com muito afinco para que esse reconhecimento se concretizasse. Recebemos essa notícia com muita alegria, por ser tão importante e justa para o povo amazonense. Afinal, são dois teatros dentro da Amazônia, algo grandioso”, concluiu o secretário.

