A pedido de Lula, Marcelo Ramos abre mão de candidatura
O ex-deputado Marcelo Ramos (PT) informou que não disputará nenhum cargo em 2026 após abrir mão de sua candidatura ao Senado a pedido presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à jornalista Rosiene Carvalho, Marcelo Ramos afirmou que atuará apenas como militante da campanha nacional em nome da unidade do projeto de reeleição de Lula.
“Claro que é um momento de frustração enorme, a militância do PT está muito consternada. Antes de entrar na entrevista eu falei no grupo do PT. Eu estou muito consternado e tenho certeza que muitas pessoas que sentiam e sentem essa necessidade de uma candidatura progressista à esquerda nas eleições vão se sentir muito frustradas, mas, como eu disse, recuar também é um gesto de luta”, disse.
Segundo Marcelo Ramos, tanto o presidente Lula quanto o presidente nacional do PT, Edinho Silva, teriam tido uma conversa com o senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao governo estadual pela coligação apoiadora do presidente, antes de efetuar a ligação para o ex-deputado. Marcelo disse estar triste e frustrado, mas que está “paz com a minha consciência”, destacando que manterá o apoio ao presidente Lula independente das circunstâncias.
“A retirada da minha candidatura ressalta a necessidade de um compromisso efetivo das candidaturas do senador Omar e do senador Eduardo com o presidente Lula. Eu serei daqueles que estarei aqui cobrando que eles verbalizem, durante a sua caminhada, o compromisso e as entregas do presidente Lula para o estado do Amazonas e peçam para o presidente Lula voto, com a mesma ênfase que pedem para si e, de forma justa, se vinculam às entregas do governo federal aqui no Amazonas”, frisou.
Com a saída de Marcelo Ramos da corrida, o campo progressista não terá uma candidatura fortemente sustentada pela máquina política, muito embora hajam pré-candidaturas consideradas progressistas, como o líder indígena Ismael Munduruku (Rede) e a advogada Chris Belchior (PSB). No entanto, a federação PSOL/Rede terá uma candidatura própria, não estando ligada à coligação de Omar Aziz, e o Partido Socialista Brasileiro, apesar de estar com o PT a nível nacional, atualmente está no radar do governador Roberto Cidade (União), que tem Serafim Corrêa (PSB) como vice-governador.
Direita em perigo
Na entrevista divulgada no canal oficial da jornalista, Marcelo Ramos informou ainda que existe uma articulação contra as candidaturas de Maria do Carmo Seffair ao governo e Capitão Alberto Neto ao Senado, ambos membros do Partido Liberal (PL), presidido no Amazonas pelo ex-senador Alfredo Nascimento e nacionalmente pelo ex-deputado Valdemar da Costa Neto. Essa articulação teria origem no União Brasil de Roberto Cidade e Wilson Lima, pré-candidatos ao governo e ao Senado.
“O União quer comprar o PL, tirar a candidatura a Maria do Carmo para ela não ser candidata a nada ou ser candidata ao Senado, e levar o Alberto Neto para vice do Roberto Cidade. Porque leva o PL para o palanque deles, aumenta o tempo de televisão, dá um vice com musculatura política para o Roberto Cidade e limpa o terreno para o Wilson Lima. Isso é uma hipótese, mas não desconsidero outra: tirar a Maria do Carmo e a chapa ao Senado virar Wilson Lima e Alberto Neto”, disse.

