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Desemprego cede, mas gargalos permanecem

Em meio a tarifaço, juros elevados e inflação em alta, uma boa notícia: a taxa de desemprego do País registra o menor nível desde que o índice começou a ser medido em 2021. No segundo trimestre do ano, a taxa de desocupação foi de 5,4%, menor que os 6,1% medidos no semestre anterior. É algo a ser celebrado, pois revela a resiliência da economia brasileira que, mesmo em face de diversos fatores macroeconômicos desfavoráveis, consegue avançar e criar empregos. Por outro lado, nem tudo é positivo: o País ainda está longe da situação que os economistas chamam de “pleno emprego” – um cenário em que todo trabalhador que quer e pode trabalhar, encontrará ocupação em pouco tempo.

Para que o Brasil alcance a situação real e sustentável de pleno emprego, é preciso superar gargalos estruturais históricos como a alta informalidade, a baixa qualificação da mão de obra, a desigualdade regional e a necessidade de investimentos que aumentem a produtividade. De fato, ainda temos 5,9 milhões de pessoas desempregadas, que querem trabalhar, mas não encontram oportunidades, em parte por ter pouca qualificação. Uma larga parcela desse contingente vai engrossar a informalidade. Dos 103,1 milhões de pessoas que integram a população ocupada, 26,1 milhões trabalham por conta própria. E boa parte dos que trabalham para terceiros, o fazem sem Carteira assinada.

São aspectos que os governos – federal, estaduais e municipais – precisam enfrentar por meio de políticas públicas capazes de fomentar a criação de postos de trabalho. Aí está um ponto que deveria ser o centro dos debates políticos visando as próximas eleições. O que os pré-candidatos propõem para ampliar a oferta de empregos, reduzir a informalidade e capacitar mão de obra?

Considerando apenas a estatística geral e fria, estamos avançando. O país estaria perto do patamar técnico de pleno emprego, mas, para isso, precisamos superar os gargalos, o que passa por melhorar a renda, entre outros fatores. Dados do IBGE mostram que, apesar do avanço na criação de vagas, o salário médio do brasileiro segue estacionado na casa dos R$ 3.738, um patamar baixo para qualquer país que busca o desenvolvimento.

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