Amazonas

Marina Silva chega a Manaus sob pressão por polêmica do “pirarucu invasor”

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, desembarca em Manaus nesta quinta-feira (26) para lançar um programa ambiental voltado ao manejo sustentável do pirarucu, mas chega sob forte pressão. A visita ocorre em meio à repercussão negativa de uma norma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), vinculado ao ministério, que classificou o peixe como espécie exótica invasora fora da Amazônia, gerando críticas do setor produtivo.

Lançamento ambiental ocorre em meio à crise
A agenda oficial prevê o lançamento do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do pirarucu, iniciativa apresentada como inovadora pelo Ministério do Meio Ambiente.

O evento será realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com foco na valorização de comunidades ribeirinhas que atuam no manejo sustentável da espécie.

A proposta busca incentivar práticas de conservação, remunerando quem contribui para a preservação ambiental.

O problema é o timing: o programa chega justamente quando a credibilidade da política para o setor está sendo questionada.

Norma do Ibama gera reação no setor
A crise foi provocada pela Instrução Normativa nº 7/2026, que classifica o pirarucu como espécie exótica invasora fora da Amazônia.

A decisão, tomada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, também inclui outras espécies como tambaqui e tilápia.

A medida caiu mal entre produtores, especialistas e representantes da cadeia do pescado, que apontam insegurança jurídica e risco direto para investimentos.

Na prática, a classificação pode dificultar a criação e comercialização dessas espécies em outras regiões do país, afetando um mercado em expansão.

Setor produtivo cobra explicações
Entidades ligadas à piscicultura defendem a revisão imediata da norma e cobram posicionamento do governo federal.

O entendimento é que a medida foi adotada sem diálogo suficiente com o setor, criando incertezas sobre regras e licenciamento.

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Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2024, a produção de pirarucu chegou a 1,7 milhão de quilos, com destaque para estados da região Norte.

O receio é que decisões desse tipo impactem diretamente a cadeia produtiva e desestimulem novos investimentos.

Histórico recente amplia desgaste
A visita da ministra ocorre em um ambiente já tensionado no Amazonas.

Nos últimos meses, Marina Silva acumulou desgastes com lideranças políticas e setores econômicos da região, especialmente por sua posição contrária ao asfaltamento do trecho central da BR-319.

A rodovia é considerada estratégica para a ligação entre Manaus e Porto Velho, e o impasse sobre a obra tem sido motivo constante de críticas.

Agora, a nova polêmica envolvendo o pirarucu amplia o desgaste e coloca a ministra novamente no centro de questionamentos.

Programa ambiental pode ser ofuscado
Embora o PSA do pirarucu tenha como objetivo fortalecer a conservação e gerar renda sustentável, o lançamento corre o risco de ser ofuscado pela crise.

A contradição entre incentivar o manejo da espécie na Amazônia e classificá-la como invasora em outras regiões virou o principal ponto de crítica.

Para analistas, o episódio expõe falhas de comunicação e articulação dentro da política ambiental federal.

A expectativa é que a passagem de Marina Silva por Manaus seja marcada por cobranças públicas e questionamentos diretos sobre a norma do Ibama.

 

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