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Amazonas adere a acordo para baixar preço do diesel

O governador Wilson Lima (União) anunciou que o estado do Amazonas já aderiu ao acordo com o governo federal para subsidiar o diesel importado e baixar os preços para os clientes locais. O combustível é principalmente utilizado pela indústria e logística do Amazonas e a subida dos preços provocada pela guerra no Irã causou impactos negativos, como o aumento das passagens de lanchas.

“Isso tem reflexo na economia como um todo e, a propósito disso, estado aderiu à medida provisória do governo federal para aliviar ou segurar, pelo menos por enquanto, a subida do diesel. Nós estamos abrindo mão de receitas, abrindo mão de ICMS, para proteger o cidadão amazonense e a economia do estado do Amazonas”, disse.

O governador, no entanto, cobrou que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha mecanismos duros para fazer com que a eventual queda no preço do combustível chegue até o consumidor final, para que “esse impacto possa ser sentido pela população”. A expectativa é de que o estado abra mão de receber R$ 25 milhões com a medida.

A informação foi dada durante a 319ª reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), que marcou também a despedida do secretário Serafim Corrêa (PSB) da titularidade da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti). O secretário-executivo Gustavo Igrejas passa a responder pela pasta.

Questionado por A CRÍTICA sobre a adesão do governo estadual à proposta da União, o novo secretário ressaltou que a questão do diesel interfere diretamente na indústria amazonense, já que qualquer elevação “encarece toda a cadeia”.

“Como o governador disse, isso vai ter que ter um impacto. Se o governo está dando a parte dele, em algum momento as empresas têm que dar também, têm que baixar esse preço”, disse.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mais de 80% dos estados brasileiros declararam apoio à proposta de subvenção ao diesel importado. A pasta publicou uma declaração conjunta com o Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) confirmando a informação.

A medida provisória que deve ser publicada pelo ministério prevê que o diesel importado receba um desconto de R$ 1,20 por litro. O governo tenta conseguir a adesão de todas a unidades federativas antes da publicação oficial da medida.

“Eu gostaria que tivesse unanimidade para que gente fizesse o quanto antes, sem qualquer tipo de ruído ou de questionamento. Mas ainda que busquemos unanimidade, a gente não precisa”, disse.

Terras para indústrias

Na solenidade, a questão da falta de terras para a instalação de novas indústrias na Zona Franca de Manaus (ZFM) voltou a entrar na pauta. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento Júnior, afirmou que muitas empresas procuraram a associação pedindo atenção à questão.

“Nós identificamos há um ano atrás a dificuldade de terrenos para o estabelecimento de novas empresas e hoje já está se tornando não um limitador, mas um impeditivo à instalação de novas empresas por falta de terreno. Algumas empresas já instaladas querem ampliar os negócios, seus parques, e não têm espaço. E também as que querem vir para o Brasil”, disse.

Ainda como secretário, Serafim Corrêa informou que o governo estadual já está em tratativas com a Prefeitura de Manaus para dar prosseguimento à revisão do Plano Diretor, a qual deverá permitir a instalação de novas indústrias em Manaus.

“Eu conversei com o Alonso [Oliveira], o secretário municipal que representa a prefeitura aqui, no sentido de que possa levar o mais rapidamente, o mais breve possível, um entendimento entre Prefeitura de Manaus, Suframa, Sedecti, objetivando as adequações do Plano Diretor exatamente para atender as demandas de novos terrenos”, respondeu.

Para A CRÍTICA, o novo secretário Gustavo Igrejas, que é servidor de carreira da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) atualmente cedido para a Sedecti, destacou que continuará fazendo o acompanhamento da pauta e lembrou que o polo industrial perdeu muitas áreas nos últimos anos devido a invasões urbanas, fazendo com que terrenos destinados à indústria fossem perdidos.

Segundo Igrejas, com o crescimento da Zona Franca de Manaus (ZFM), área chamada de “área de expansão” acabou perdendo entre 20% a 30% da sua capacidade de receber empresas, mas que os entes trabalham com medidas para compensar esse problema.

“Nós temos o Distrito Agropecuário da Suframa, que é muito grande, e a ideia da prefeitura, do governo e da Suframa é fazer um trabalho conjunto de algumas áreas da parte sul do Distrito Agropecuário para poder receber indústria do tipo 5 e a gente conseguir ganhar uma área bastante relevante para a inclusão de novas indústrias”, completou.

Despedida

Em sua despedida do cargo de secretário, Serafim Corrêa foi saudado pelos membros da classe produtiva e conselheiros do Codam. O governador Wilson Lima afirmou que o agora ex-secretário tem preparação técnica e que o estado do Amazonas deve seu crescimento ao seu trabalho, além de ter se colocado à disposição para auxiliá-lo em sua nova trajetória.

“O estado do Amazonas precisa do senhor, precisa dos seus conhecimentos, da sua experiência. Se hoje o estado do Amazonas está melhor, é porque o senhor também deu uma contribuição para que isso acontecesse”, disse.

O secretário Gustavo Igrejas também afirmou à reportagem que será uma grande responsabilidade substituir Serafim Corrêa na Sedecti, já que ele subiu muito a baliza da pasta.

“No ano passado nós tivemos um recorde de projetos, 320 projetos. Para você ter uma ideia, o normal é 30 projetos por pauta, 180 por ano. Então, a gente vinha botando um patamar de 250. No ano passado, colocamos 320. Isso mostra a confiança do investidor tanto no modelo ZFM quanto no governo do Amazonas”, completou.

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