Servidores, policial militar e ex-assessores são alvos de operação contra tráfico e corrupção no AM; veja lista completa
Servidores públicos, policial militar e ex-assessores estão entre os alvos da Operação Erga Omnes, que desarticulou organização criminosa com atuação interestadual em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção no Amazonas.
Servidor do Tribunal de Justiça, ex-secretária de gabinete, investigadora da Polícia Civil, policial militar e ex-assessores parlamentares estão entre os principais alvos da Operação Erga Omnes, deflagrada nesta sexta-feira (20) pela Polícia Civil do Amazonas.
A ofensiva, conduzida pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), mira uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. Segundo as autoridades, o grupo atuava de forma estruturada e com divisão clara de tarefas.
Entre os investigados no Amazonas estão:
Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus;
Alcir Queiroga Teixeira Júnior – apontado como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema;
Ronilson Xisto Jordão – preso no município de Itacoatiara.
Até o momento, não foram detalhadas as condutas individuais atribuídas a cada um.
Apreensão de 500 tabletes de skunk deu origem ao inquérito
A investigação começou após uma grande apreensão realizada em ação policial anterior. Na ocasião, foram encontrados mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo utilitário empregado na logística terrestre e diversos aparelhos celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante.
O volume e o tipo de material apreendido levantaram suspeitas sobre a existência de uma estrutura criminosa mais ampla, o que levou à instauração de inquérito para identificar a cadeia de comando, financiadores, operadores logísticos e possíveis colaboradores internos.
Organização atuava com núcleos operacional e financeiro
As diligências apontaram que o grupo funcionava com divisão estratégica de tarefas, distribuídas em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico.
O núcleo operacional era responsável pelo transporte e distribuição dos entorpecentes, utilizando principalmente rotas fluviais e terrestres — estratégia que aproveita a extensa malha hidrográfica do Amazonas para dificultar a fiscalização.
Já o núcleo financeiro cuidava da movimentação e ocultação dos valores obtidos com o tráfico. Segundo a Polícia Civil, veículos eram alugados em nome de terceiros para evitar rastreamento direto, e empresas registradas formalmente nos ramos de transporte e locação eram utilizadas como instrumentos para dar aparência de legalidade às transações.
Empresas de fachada e movimentações interestaduais
As investigações identificaram indícios de que algumas empresas funcionavam apenas documentalmente. Embora regularmente registradas, não apresentavam atividade operacional compatível com o volume financeiro movimentado.
Essas estruturas teriam sido usadas para fragmentar valores, realizar transferências entre estados e mascarar a origem ilícita dos recursos. O alcance interestadual das operações exigiu apoio integrado de forças de segurança do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí.
O cruzamento de dados bancários, fiscais e telemáticos foi apontado como peça-chave para mapear a engrenagem financeira do esquema.
Investigação segue e novas fases não estão descartadas
A Operação Erga Omnes segue em andamento, com análise de documentos e extração de dados de aparelhos apreendidos. A Polícia Civil informou que novas fases podem ser deflagradas conforme o avanço das perícias e das quebras de sigilo autorizadas judicialmente.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. Somadas, as penas podem resultar em décadas de reclusão.
A operação lança luz sobre a suspeita de infiltração do crime organizado em estruturas públicas e reforça o monitoramento de movimentações financeiras atípicas no estado.

